A esperança é a última que morre.

Krishna guerreira invisível me acompanha a algumas semanas, e na última resolveu se libertar, hoje ela ameaça me dominar por completo e levar-me para seu mundo sem volta ou me deixar para voltar novamente ou sumir em definitivo.

São exatamente 19:30 e Krishna nesse instante repousa e aguarda. Por que ás 23:00 de hoje ela irá surgir com toda sua força e travará uma batalha severa comigo. Sinto que Krishna observa todos meus passos, e de quando em quando ela finca sua lança afiada em meu peito tentando perfurar meu músculo pulsante, o coração. Ela ainda não o perfurou a ponto de pará-lo, mas chegou perto e ele ainda está ferido. Minha defesa natural encontrou algumas falhas em Krishna e com isso consegue agora esquivar ou resistir a seus ataques, porém alguns sempre passam.

Krishna, por incrível que isso possa parecer é a amiga número um de minha consciência e a maior inimiga de meu coração. Ela não quer matar-me, suas intenções são até boas, mas ela quer diminuir as batidas de meu coração efusivamente para que ele pare de vez e comece a bater de uma forma nova e ingênua, com outra função, com outro objetivo.

Meu coração não quer parar e tampouco mudar suas batidas, ele quer bater cada vez mais forte pelo motivo de hoje e parar de sangrar, quer sorrir e fazer sorrir, ele simplesmente quer bater livremente.

Quando Krishna chegou ela traiu meu coração, se fez de amiga, fazendo com que meus inimigos se tornassem meus amigos e meus amigos inimigos, mas falhou e fez com que a minha consciência devesse uma admiração, pelo fato de ocasionar a percepção de que alguns de meus inimigos foram amigos uns dia e vice-versa. A consciência deu o lar a Krishna e desde então ela vive dentro de mim e não paga aluguel. 

Sei que um dia Krishna irá, por bem ou por mal, mas quando isso acontecer, cicatrizes que jamais se apagarão, irão ficar em meu coração. Porém as feridas irão se fechar e quem sabe irão doer sem prévio aviso ou data marcada, só irão doer e irei lembrar-me de Krishna e sangrar de ferimentos fechados que poderão ser aberto a todo momento. 

Krishna tem dois lados, mas só revela o maligno, que apesar de ser bem menor e ocupar menos espaço em sua áurea é mais forte e perceptível.

A angústia é o veneno da lança de Krishna e ele penetra fazendo todo meu corpo tremer e meus olhos se fecharem para meu coração não adormecer, mas sofrer e gritar um grito surdo que ninguém pode ouvir além da consciência que chora sem sentir e sente por chorar.

Krishna sabe que pode ser derrotada, sabe que não sou assim tão fácil de ser dominado, porém ela conhece agora minhas fraquezas, muito mais que meu coração, pois é amiga íntima de minha nobre e inigualável consciência. Porém Krishna adora desafios e a cada falha eu recordo de algo em si, que me faz lembrar ou descobrir algo que posso usar para derrotá-la.

É o principal sobre Krishna, mas ela tem muito mais a revelar do que isso, assim como meu coração e minha consciência, porém irei descobrir após a grande batalha, que pode ser a primeira de muitas que travarei com ela, ou a final e mortal. Lembrando que Krishna é imortal, mas morre a cada derrota e nasce a cada vitória.

No fundo eu admiro Krishna, mas não a aceito dentro de mim e tampouco de quem amo ou gosto, mesmo assim ela sabe jogar e quase sempre consegue o que quer, porque é persistente e astuta.

Krishna, estou lhe aguardando ansiosamente, não irei fugir, e se você fizer, irei até o inferno atrás de você essa noite. 

 

Álvaro Henrique
6 de abril, 2003

Não quero ser Jack!